(Um luto de casa 12)



Esse texto não será infotenimento. Por isso ele está sendo feito aqui e não no Instagram. Terá a ver com astrologia, mas não da maneira óbvia. Ele também não busca audiência, nem popularidade. Busca troca genuína. Quando estamos de luto, qualquer status vira motivo de culpa. Qualquer alegria vira motivo de falta de coerência. Não tenho coragem de dançar. Vocês sabem como é isso?

Primeiro vou começar explicando minha relação com Paulo Gustavo. Simplesmente, porque acredito na legitimidade absoluta dessa relação. E acho que ela nos faz pensar. Eu conheci o Paulo Gustavo numa peça no shopping da Gávea em 2006 e, desde então, o persegui em tudo. Muitas pessoas inclusive me ouvem fazer piada e falam que eu falo parecida com ele. Porque eu aprendo e até decoro por osmose. Não pela lógica. Sou assim com tudo.

Há alguns anos eu tive depressão. E tinha também pânico. Tinha pânico quando ia para a rua e depressão quando estava em casa. Não aguentava ficar fora nem dentro. A única coisa que me acalmava era rivotril e “Vai Que Cola”. E eu só gostava dos episódios que tinham ele, então nas 3 primeiras temporadas eu praticamente sei de cór os episódios que ele participou.

A minha mãe tem uma amiga que é muito próxima e é atriz e muito amiga dele. Muito mesmo! Ela começou a me chamar pra ir nas coisas dele, e fomos numa gravação lá no Riocentro do Vai Que Cola. Quando acabou o episódio, ele chamou a gente pra entrar lá por trás pelos bastidores(...) fomos com ele, tiramos foto (não tenho nem ideia de onde tá essa foto aliás, vou procurar um dia(...), mas vocês vão entender que isso não faz a menor diferença) e lembro de ver uma bagunça enorme e pessoas trocando de roupa, meio correndo porque a gravação continuava. Saímos de lá e fomos andando lá pra fora, ele sempre meio correndo e a gente seguindo. Ele falou que ia ter uma festa na casa dele e, se nós íamos. E a gente falou que não! E se a gente queria carona e eu falei que estava de carro e só! Nunca mais o vi de perto, nem falei. Assisti todas as peças, filmes seguintes e comprei o dvd do Hiperativo e, via todo santo dia no trânsito o mesmo dvd (minha filha sabe de cór esse dvd também). Também assisto absolutamente todos os vídeos e Lives do Instagram dele desde que ele tem o Instagram @paulogustavo31. Porque ele fez quando tinha 31 anos e "não sabia mudar aquela merdaaaaa".

Mas lembro que quando eu o vi, eu não tive vontade de ficar perto dele ou que ele me conhecesse ou gostasse de mim. Eu sempre achei que eu gostava tanto dele a ponto de não fazer questão de reconhecimento dele. E, também, pensava que caso o conhecesse, eu poderia desconstruir a imagem que eu tinha, porque com certeza ele tinha mil defeitos então estava ótimo daquele jeito mesmo. Mas nunca! Nem no meu pior pesadelo eu cogitei ver o Paulo Gustavo morrer! Se quando a gente entra no avião já fica tranquilo quando vê famoso porque acha que o avião não cai, imagina achar que ele morreria sem ser por acidente de avião. Nunca! Jamais!

A pandemia começou e fiquei bem. Mudei de vida e fiquei alinhada com quem eu quero ser. Alinhei minha energia e entendi astrologicamente a pandemia. O mundo não cabe tanta gente + os valores estão errados + precisamos enxergar isso = COVID. Os astros não escreveram a COVID, mas escreveram o desenho e a função e passei a pandemia tentando explicar isso. Que na última vez que isso havia acontecido tinha sido na Queda do Império Romano e que os astros também não tinham nada contra Roma especificamente. Mas que tudo tem um aprendizado e uma função maior do que atingir a nossa bolha de alecrim dourado que somos. (quem já assistiu a palestra do Cortella já entendeu que somos o subtreco do subtroço. Se você não assistiu, vai lá e depois, se lembrar, volta aqui).

E no meio de todo esse estardalhaço de pessoas que eu atendia diariamente que perderam parentes próximos e estavam ressignificando suas vidas, e ao mesmo tempo convivendo com valores questionáveis diariamente e praticando a energia que eu queria apesar de tudo, soube que ele estava com COVID. Lembro que quando eu soube, eu falei na hora: Se o Paulo Gustavo morrer eu vou embora do Brasil no dia seguinte! E lembro que logo depois pensei: "eu tenho essa mania de pensar o pior possível pra me defender sempre!" Mas entendi que ali começava um processo.

Desde o dia 13 de março acompanhei diariamente tudo. Honestamente um lado meu achava que ele ia morrer, mas outro me lembrava da minha tendência a pensar o pior e que eu preciso ser mais leve. Quando as correntes da Tatá com o Padre começaram, eu comecei a participar das Lives. É um padre incrível que na verdade é médium, eu acho. Porque ele dá recados no meio das orações do tipo: "Mariana de Andrade que está com um ferimento na perna direita vai se curar" e segue rezando. Eu também participava das orações da Elba no sábado e do Padre Fábio de Melo no domingo às 11 da manhã. Essas duas últimas não eram para o Paulo, mas sempre tinham muitas pessoas pedindo por ele.

Além disso, no começo da internação, eu fazia de tudo pra saber dele. Fiz contato com amigas médicas do Copa Star e com outras que tinham conhecidos lá. Soube um dia que ele tinha tido morte encefálica e o dia seguinte que tinha sido "boato" porque ele teve uma outra coisa. Eu fiquei puta comigo mesma, porque eu estava querendo ter um controle ali que não ia ter e parei de procurar saber. Vi que aquilo não ia me levar a nada, só a me lembrar do poder de destruição de um boato no mundo.

Fiquei 2 semanas sem notícias e comecei a ficar doente. meu aniversário estava se aproximando (fiz 40 anos dia 11 de abril). No dia 9, tive que ir pro hospital e tive que ficar lá algumas horas aguardando exames. Quando liguei a televisão do quarto, sabem quem estava lá? Paulo Gustavo(!)...estava passando um episódio que ele estava do Vai Que Cola e de alguma forma, me senti conectada a ele. Ele também estava num hospital numa situação infinitamente pior que a minha. Parei de fazer drama sobre a minha situação e umas horas depois fui para casa.

Depois do meu aniversário, minha mãe comentou comigo que a Malu tinha comentado que ele estava melhorando. E aí falei: Mãe, vocês têm que me dar mais notícias e tal e a Malu me colocou numa lista de transmissão de amigos do Paulo e comecei a receber boletins diários. Obviamente não comentava com ninguém, mas me sentia sabendo e participando. Lembro que quando vi a notícia na segunda que ele teve a piora súbita após acordar no domingo à tarde, tinha certeza de que ele morreria. Mas sempre com o meu lado positivo dando esporro interno nesse meu lado extremista. Na segunda à noite minha mãe me explicou mais detalhes técnicos e ali tive certeza de que seriam no máximo 48 horas, mas fui leal e fiquei quieta assistindo aos posts desesperados dos amigos querendo abafar o que não tinha mais saída. Mas como minha mãe me falou que eram 48 horas, achei que a notícia sairia na quarta. Quando eu estava gravando o vídeo sobre o entendimento da passagem dele, chegou o banner do Whatsapp que ele havia feito a passagem às 21:12. Eram mais ou menos 21:25.

Durante todo esse tempo, eu pensei no mapa do Paulo. Dos tantos planetas em Escorpião e da lua em Libra. De como essa passagem poderia mudar o Brasil e como a alma dele talvez pudesse ter essa missão. Ao mesmo tempo, conhecendo-o (sim, não duvidem o quanto eu conheço ele), eu tenho certeza que ele queria ficar. Ele queria muito ficar. Acho que foi um duelo de titãs porque a energia trocada entre a terra e o universo foi gigante. E eu quase o vejo falando: - Ah gente! Final de BBB e eu vou morrer hoje? Aoooowwwwww!

Tá puto com certeza!

Não vou esquecer o Paulo nenhum dia da minha vida.

Não quero biscoito por escrever nada disso.

Quero que o mundo mude.

Nem sonhar com ele eu quero(...) deve ter um monte de gente esperando para ver ele em sonho. A agenda dele de visitas em sonhos já deve estar lotada até 2027. Só quero hoje conseguir aceitar de alguma forma alguma justiça nessa passagem. Não consigo ver.

Obrigada se você leu até aqui. Sinta-se abraçada por um coração machucado de uma relação de casa 12. acho que esse texto acabou sendo sobre como é o amor na casa 12. Obrigada Paulo. Até nisso você me ajudou, porque os astrólogos nunca conseguem explicar.

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