Mirei no Marte ascendente, encontrei Plutão descendente



Estou em Punta Cana há 5 dias. Até agora não quis escrever porque não sabia como dizer que estava sendo a pior experiência da vida. Até porque não queria ser precoce na opinião ou dramática ou caluniosa e mais: sou astróloga e sabia que podia ser uma raiva marciana que poderia passar ou uma visão do outro plutoniana.


De fato, estava certa. Nada de Plutão é rápido porque é tudo muito profundo. Então vou começar o relato que será o mais curto possível para o que é fato: não tem como ser raso.

A minha primeira impressão ao chegar foi: servicio de migración. Fila depois de 10 horas de vôo com Maria febril e com dor de garganta e eu com dor de ouvido. Tinham duas filas. Cada uma era atendida por 2 guichês que pareciam ser atendidas irmãmente pelas 4 policiais federais. Logo que entramos vi que um guichê ficou vazio, mas a fila seguia andando e enfim, não tinha opção a não ser alegrar a adolescente que tava visivelmente morta e eu idem. Quando chegou na nossa vez veio uma pessoa por dentro da área policial, dessas que segura plaquinhas com nome de pessoas com um casal de clientes que parou num canto. Visivelmente era algum tipo de atendimento vip e aquele casal não ficara na fila e enfim: vamos lá! Irritante mas ok, faz parte. Só que alguma coisa que a policial viu a fez sair da cabine e sumir por fucking 50 minutos. As pessoas atrás de nós e nós que estávamos na vez ficamos catatônicos e eu já cheguei com ódio no coração e pensando que se na entrada pro USA for assim, vou ser presa porque eu queria muito reclamar. Depois fila pra passar malas naquele raio x e depois o transfer. Chegamos na porta e tinha uma moça com uma placa com meu nome e falou pra aguardarmos porque, como demoramos a sair (ficamos presas na fila e acho que fomos as últimas a sair da leva de pessoa do nosso vôo) o carro tinha ido levar outra pessoa. Eu já queria chorar mas depois de uns 20 minutos o carro chegou. O motorista queria conversar e eu não tinha forças e Maria não tinha voz. Ele ia me mostrando condomínios de luxo pelo caminho como se fossem pontos turísticos e me mostrou um supermercado chamado Jumbo. Até agora não entendi mas sei lá, acho que ele queria ser simpático. Disse que 70% da população dominicana já estava vacinada e que o COVID estava controlado aqui e sei lá mais o que ele falou. Eu não conseguia mais ouvir. Chegamos. Fila gigante pro check in. Parecia estar chegando num wet’n’wild em Vargem Grande, sabem? Lotado. O cara pediu pra aguardar porque o grupo chegou antes. Fiquei na fila e Maria sentou em um sofá com as malas. Fizemos o check in mas ele disse que não tinha quarto e que só poderíamos ir pra habitação as 15:00. Eram 13:00 e eu tinha saído de casa no Rio no dia anterior as 22:00 e não dormi nem meio minuto no avião. Não sabia mais nem o que sentir. Pegamos todas as malas e fomos no banheiro da recepção e botamos o primeiro biquini que encontramos. Demos um mergulho e fomos almoçar.

Entramos no quarto um tempo depois e depois disso até hoje absolutamente tudo que a gente pedia não podia ou não tinha. Ou o que tinha não funcionava. Não vou relatar tudo porque vai ficar chato, mas eu já estava achando inacreditável e como astróloga pensando aonde esse Plutão me levaria. Porque Plutão transforma.


Até que hoje (sim, 5 dias depois!) eu consegui descobrir onde é a academia e sabem quem eu encontrei depois de 24 minutos de pedaladas: Marte!!!! A endorfina mínima me fez sair daquela academia emocionada com o caminho até aqui. Vi pessoas dançando e quase chorei. E vou seguir me encontrando com Marte todo dia a partir de agora pra ir com ele até o que Plutão tá guardando misteriosamente. Nessas horas vejo como a astrologia é mágica até pra enfrentar dificuldades. Apesar de tudo, me vejo de fora e vejo que vai fazer sentido em algum momento. E vou relatando aqui pra vocês 🙏🏻.